O LAB Cultura Viva é um laboratório de formação, experimentação e construção colaborativa criado para aproximar a Política Nacional Cultura Viva de outras políticas públicas e fortalecer novas formas de cooperação entre governo, sociedade civil, universidades e territórios.
A proposta parte de uma questão fundamental: como os conhecimentos, metodologias e experiências construídos pela Cultura Viva podem contribuir para transformar a maneira como pensamos e fazemos políticas públicas nas cidades?
Mais do que um curso ou uma sequência de encontros, o LAB propõe um processo continuado de escuta, formação, diálogo intersetorial, intercâmbio de experiências e construção de propostas. Um espaço no qual diferentes áreas da gestão pública possam reconhecer desafios comuns, conhecer iniciativas que já acontecem nos territórios e experimentar novas possibilidades de atuação integrada.
A Política Nacional Cultura Viva consolidou, ao longo de mais de duas décadas, uma forma inovadora de relação entre Estado e sociedade, baseada no reconhecimento das iniciativas culturais existentes nos territórios, na autonomia, no protagonismo comunitário, na participação social e na articulação em rede.
O LAB parte dessa experiência para ampliar o diálogo da Cultura Viva com áreas como educação, saúde, esporte e lazer, desenvolvimento e assistência social, políticas para as mulheres, trabalho e renda, meio ambiente, urbanismo e planejamento urbano, entre outras.
A proposta é reconhecer que os desafios de um território não estão separados pelas estruturas administrativas do poder público. Cultura, educação, saúde, desenvolvimento social, meio ambiente e planejamento encontram as mesmas pessoas, comunidades e territórios – e podem construir respostas mais potentes quando atuam de maneira articulada.
Campinas foi a primeira cidade a realizar a experiência do LAB Cultura Viva, inaugurando, em 2026, uma metodologia que nasce com a perspectiva de ser sistematizada, aprimorada e desenvolvida em outros territórios.
A escolha de Campinas para essa primeira experiência dialoga profundamente com a própria história da Cultura Viva. A cidade possui uma trajetória pioneira: ainda na década de 1990 recebeu uma experiência precursora de Ponto de Cultura e, posteriormente, a Casa de Cultura Tainã protagonizou uma das primeiras experiências de articulação em rede que contribuíram para a construção do programa Cultura Viva. Campinas também foi a primeira cidade brasileira a instituir uma legislação municipal própria para os Pontos de Cultura.
Essa história encontra uma cidade reconhecida pela produção de ciência, tecnologia, pesquisa e conhecimento, mas também marcada por uma ampla rede de organizações culturais, coletivos, Pontos e Pontões de Cultura, universidades, iniciativas comunitárias, artistas, mestres e mestras e experiências de participação social.
Foi a partir desse encontro entre Cultura Viva, inovação, gestão pública e territórios que nasceu o primeiro LAB.
Realizado entre 21 de julho e 5 de agosto de 2026, o primeiro ciclo do LAB Cultura Viva Campinas combinou formação internacional on-line e encontros presenciais de diálogo intersetorial.
A Formação Internacional Cultura, Territórios e Inovação em Gestão Pública foi conduzida por Jorge Melguizo, ex-Secretário de Cultura Cidadã e ex-Secretário de Desenvolvimento Social de Medellín, na Colômbia, e referência internacional nos debates sobre cultura, transformação social, desenvolvimento territorial e inovação em gestão pública.
Os encontros colocaram a experiência internacional em diálogo com a realidade de Campinas. A proposta não foi buscar modelos prontos para serem reproduzidos, mas conhecer outras experiências para ampliar perspectivas e provocar novas perguntas sobre os desafios e as potencialidades da cidade.
Paralelamente à formação, foram realizados Diálogos Intersetoriais presenciais no Paço Municipal de Campinas, reunindo sociedade civil e diferentes áreas da administração municipal.
Participaram desse processo as áreas de Educação; Esporte e Lazer; Saúde; Planejamento e Desenvolvimento Urbano; Urbanismo; Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade; Desenvolvimento e Assistência Social; Políticas para as Mulheres; e Trabalho e Renda.
Cada diálogo buscou reconhecer políticas, programas e experiências que já existem, identificar pontos de conexão entre as diferentes áreas e construir novas possibilidades de cooperação tendo a Cultura Viva e os territórios como pontos de partida.
O LAB Cultura Viva não termina quando termina uma formação.
Cada ciclo produz experiências, diagnósticos, perguntas, metodologias e propostas que podem alimentar as etapas seguintes.
Por isso, um dos princípios do projeto é a sistematização dos conhecimentos produzidos coletivamente. A experiência de Campinas inaugura um processo de construção de referências que poderá orientar novos ciclos do próprio LAB e contribuir para sua realização em outros municípios e territórios.
O que começou em Campinas nasce, portanto, com uma perspectiva maior: transformar uma experiência local em uma metodologia capaz de circular, dialogar com diferentes realidades e continuar sendo construída coletivamente.
Porque inovar na gestão pública também significa criar espaços para que diferentes conhecimentos se encontrem.
Significa reconhecer aquilo que os territórios já constroem.
Significa aproximar políticas que muitas vezes atuam sobre as mesmas realidades, mas ainda trabalham separadamente.
E significa compreender que a transformação social de uma cidade não é responsabilidade de uma única secretaria, instituição ou comunidade.
É uma construção coletiva.
O LAB Cultura Viva nasce para ser um espaço permanente dessa construção.